21 de julho de 2026
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Receita Federal apreende embalagens de canetas emagrecedoras vazias e investiga esquema de falsificação
Carga encontrada em transportadora de Foz do Iguaçu seguiria para São Paulo. Receita alerta que produtos podem ser usados para falsificar medicamentos e colocar a saúde dos consumidores em risco

Uma fiscalização da Receita Federal em uma transportadora de Foz do Iguaçu revelou um possível esquema de falsificação de medicamentos utilizados para emagrecimento. Durante a ação, servidores apreenderam diversas embalagens de produtos identificados como tirzepatida e retratutida, substâncias associadas às chamadas canetas emagrecedoras.
As embalagens indicavam que os produtos seriam fabricados na Suíça. A tirzepatida é utilizada como princípio ativo em medicamentos para tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Já a retratutida ainda está em fase de estudos clínicos e não possui autorização para comercialização em nenhum país.
A auditora-fiscal da Receita Federal, Carolina Cristine Morimoto da Silva, explicou que a apreensão foi resultado de um trabalho de inteligência realizado pelo órgão.
“Foi uma apuração da nossa inteligência que nos levou até esse local, onde estavam sendo despachadas mercadorias com documentação fiscal provavelmente inidônea. As equipes foram até a transportadora para verificar os pacotes e encontraram uma grande quantidade de medicamentos e outras encomendas com conteúdo suspeito, que foram trazidas para a Receita Federal para averiguação”, afirmou.
Ao abrirem as caixas, os servidores constataram que elas não continham os medicamentos. No lugar das substâncias, havia apenas as estruturas das canetas aplicadoras e acessórios, sem as ampolas que deveriam conter o princípio ativo.
Segundo a Receita Federal, as duas encomendas com irregularidades tinham como destino o estado de São Paulo.
“As duas mercadorias que encontramos com ilícitos dentro estavam indo para São Paulo”, informou a auditora.
Suspeita de falsificação
A principal linha de investigação é que as embalagens vazias seriam utilizadas para abastecer as canetas com substâncias de origem desconhecida, fazendo com que os produtos fossem comercializados como medicamentos originais.
“Existe uma grande suspeita de que isso seria utilizado para falsificação no destino. Eles enviariam as embalagens e as canetas vazias e, chegando lá, seria colocada uma ampola com algum conteúdo que a gente não sabe qual é. Depois, esse produto seria vendido para que as pessoas utilizassem como se fosse um medicamento verdadeiro”, explicou Carolina.
A auditora alerta que o esquema representa um sério risco à saúde pública, já que não há qualquer controle sobre o conteúdo que pode ser colocado nas embalagens.
“Eles poderiam colocar alguma substância nociva para a pessoa que fosse utilizar. É muito perigoso, porque esses medicamentos são injetáveis. Já tivemos casos em que medicamentos falsificados continham até água contaminada. Imagine uma pessoa injetando água contaminada no próprio corpo acreditando que está usando um medicamento”, alertou.
Celulares escondidos
Durante a mesma operação, os servidores também localizaram uma encomenda contendo diversos aparelhos celulares escondidos dentro de uma caixa de som, em uma tentativa de burlar a fiscalização.
A Receita Federal instaurou procedimentos para identificar os responsáveis pelo envio e pelo recebimento das mercadorias.
De acordo com a auditora, os medicamentos apreendidos serão destruídos devido à suspeita de falsificação.
“Os medicamentos, como a gente suspeita que sejam falsificados, vão para destruição. Já os celulares terão a destinação prevista pela Receita Federal, podendo ser incorporados ao patrimônio público, doados ou levados a leilão”, concluiu.
As investigações continuam para identificar os envolvidos no esquema e apurar a origem dos materiais apreendidos.
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