22 de junho de 2026
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Comércio ilegal impõe perda anual de R$ 179 bilhões ao varejo

O avanço do comércio ilegal no Brasil tem ampliado as perdas do varejo, reduzido a arrecadação pública e imposto novos desafios à competitividade das empresas que atuam dentro da legalidade. Segundo estudo apresentado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o mercado ilegal provoca perdas anuais de R$ 179,2 bilhões em vendas formais, valor equivalente a cerca de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Os dados foram apresentados pelo economista-chefe da Gerência Executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico da CNC, Fábio Bentes, durante o painel “Desafios Institucionais na Defesa do Mercado Legal Brasileiro”, realizado nesta quinta-feira (18), no Seminário Brasil Legal, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O evento reuniu representantes do Congresso Nacional, do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e aos Delitos contra a Propriedade Intelectual, de entidades empresariais e especialistas para discutir medidas de combate à pirataria, ao contrabando e a outras práticas que fragilizam o mercado formal.
Na ocasião, Bentes apresentou o estudo “Comércio Ilegal no Varejo Brasileiro – O Impacto Econômico que Afeta seus Negócios”, elaborado pela CNC para dimensionar os prejuízos provocados pela expansão da ilegalidade no País. Além das perdas diretas nas vendas do varejo formal, o levantamento aponta evasão fiscal de R$ 74,8 bilhões por ano, recursos que deixam de ingressar nos cofres públicos e poderiam ser aplicados em áreas como saúde, educação, segurança, infraestrutura e políticas de desenvolvimento.
Durante a exposição, o economista afirmou que o problema se tornou uma das principais preocupações do setor produtivo, especialmente pelos efeitos sobre a concorrência. “O comércio, os serviços e o turismo vêm sofrendo fortemente com essa questão da pirataria e do comércio ilegal. É um tema prioritário para o setor, porque afeta diretamente a competitividade das empresas e gera perdas econômicas muito significativas”, disse.
De acordo com Bentes, o comércio ilegal praticamente dobrou no Brasil nos últimos 15 anos, ampliando a pressão sobre empresas que arcam com tributos, encargos trabalhistas, normas sanitárias, custos regulatórios e exigências de segurança. Na prática, a expansão desse mercado cria uma disputa desigual entre o produto legal, submetido a regras formais, e mercadorias que entram ou circulam no País sem o mesmo nível de controle.
O impacto, segundo a CNC, não se limita ao varejo. A perda de espaço da economia formal reduz receitas empresariais, comprime margens de lucro, limita investimentos, enfraquece a geração de empregos com carteira assinada e diminui a arrecadação tributária. “O crescimento do comércio ilegal não é apenas um problema do varejo. Quando a economia formal perde espaço, o País arrecada menos, investe menos e cresce menos. É uma questão que afeta todos os setores”, afirmou Bentes.
O estudo também chama atenção para os riscos aos consumidores. Segundo o economista, o contrabando e a pirataria têm alcançado uma variedade crescente de produtos, inclusive mercadorias que exigem controle sanitário, certificações técnicas e padrões mínimos de segurança. Nesses casos, além do dano econômico, há potencial ameaça à saúde pública e à segurança da população. “O problema não é apenas econômico. Há também riscos à saúde e à segurança do consumidor quando produtos entram no mercado sem qualquer controle ou fiscalização”, observou.
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